NO MAIS....
20 anos. Dediquei 20 anos da minha vida por uma paixão. O que eu enfrentei não foi fácil. Ridicularizado por muitos que diziam que eu estava ficando doido, ou era um desocupado. Mas como todo doido tem fã, tive o apoio da minha mãe. Isso era importante. O meu maior sonho era fazer um trabalho sobre meu time de coração. Muitos zombaram, desacreditaram. Faltou apoio até do homenageado, o Fortaleza. Antes, a minha loucura, começou a surtir efeito: Calouros do Ar, América e Campeonato Cearense, foram meus primeiros trabalhos. Nunca vou esquecer a alegria da minha mãe, vendo esses livros. Mas faltava algo: o Fortaleza. Continuei sonhando e pesquisando com determinação para fazer um almanaque. Minha mãe me disse duas coisas que jamais esquecerei: "esqueça o apoio do Fortaleza e tenha cuidado, pois você vai mexer em um vespeiro". A velha acertou. Não tive apoio nenhum e o vespeiro ficou ensandecido. Muita revolta e dor de cotovelo. O sonho continuava, até que em 2021, fecho uma parceria. Nesse período, minha mãe já se encontrava enferma. Começo a batalha contra o tempo. Minha mãe não podia partir, sem ver o livro do nosso time de coração publicado.
Entre hospital e biblioteca, o trabalho se desenvolvia. O tempo passava e minha angústia aumentava. Minha mãe já bastante debilitada, estava prestes a partir. Naquele momento, pausa. Meu colega pediu que eu parasse e ficasse apenas cuidando da minha mãe. Em julho, mamãe falece. E agora? Pensei em parar, mas tinha um sonho, um compromisso firmado, e mais do que nunca, a obrigação de dedicar a minha mãe esse trabalho. No mesmo ano, o Fortaleza consegue um feito histórico: Libertadores. Lembro de dizer pra minha mãe: Logo estaremos na Libertadores. E ela respondeu: pena que eu não vou tá aqui pra viver esse momento. A dor era gigante, mas a vontade de superar tudo, me fez seguir. Em março de 2022, o ALMANAQUE DO FORTALEZA, chega ao mundo. Emoção, lágrimas e a missão cumprida. O que veio depois, prefiro não comentar. Hiato. Estava sem inspiração e tendo que enfrentar a vida e suas armadilhas. Até que esse ano (2025), fiz duas publicações: Campeonato Cearense volume 2 e O Fortaleza em Campeonatos Brasileiros volume 1. Ambos com parceiros bastante competentes. Mas a motivação já não existia. A minha personalidade e transparência, principalmente ao falar o que penso, fecharam as portas. Trabalhos tratados com total indiferença. Vi que era hora mesmo de parar. O encanto acabou e eu não podia forçar a barra. Saio de cabeça erguida, na certeza que fiz bonito. Errando e acertando, nunca faltou seriedade e dedicação. Na verdade, tirei um peso das costas. E querem saber? Tá bom demais.
David Barboza, pesquisador aposentado.
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